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História de Ude Lottfi - participou do IV Retiro Zen Yoga (Páscoa de 2009)
Tereza e Ude
Primeiro Dia
Em direção ao posto de gasolina, iria encontrar três pessoas as quais eu não conhecia. Porém, mesmo sem fumar FREE, com alguma coisa em comum: todas buscavam algo para si mesmo. Uma busca pessoal, interna. E “Cadê Tereza, por onde anda minha Tereza... Cadê Tereza, lalalala lalalala êêê...”. Ainda bem que tínhamos SEM PARAR, para ganhar tempo na viagem.
O sono bateu forte e ainda bem que havia um SEM PARAR de falar também como passageiro: OBRIGADO, TEREZA. Conseguiu manter-me cordado com papos interessantes e engraçados. Na viagem já deu pra perceber o quanto o Rapha e o Jonhy também eram especiais. Chegada na escuridão. Será que é aqui? Fazenda Jatobá Terra Prana.
Fomos contornando a casa, passamos pela piscina, estacionamos do outro lado do terreno.
Volta tudo.
Antonio nos recebe e diz: “Vocês vão dormir ali, sigam aquela LUZ”.
Pensei “Puxa, já atingimos a iluminação assim tão rápido... ?”.
A casinha era tranqüila e logo me sobrou o beliche. Às 5h30 da manhã o mato canta sons de sino. Suave, penetra no sonho e desperta com tranqüilidade.Mesmo dormindo pouco, tudo bem.
Segundo dia
Ao lado do beliche havia uma janela, virada para uma gigantesca e brilhante lua.

Linda lua da manhã.
“Bom dia” e só. Poucas palavras antes da alvorada. Calça, gorro, blusa. Acordar cedo dá frio. Prática de YOGA logo cedo é umas das melhores coisas da vida.
Inspira. Espira. Inspire-se para a vida... Sinta seu corpo e mente. Pronto, o calor já reinava em todo corpo. Com tudo pronto, fechamos os olhos para ver além.
E os olhos se fecham com o escuro lá fora. Quando os olhos se abrem, já há luz iluminando a vida no campo.
Foi incrível perceber os pássaros acordarem. Mais que isso, sentir o despertar da natureza. Às vezes é preciso fechar os olhos para ver mais além.
Hora do almoço, silencio, por favor. Sentindo o gosto de uma ervilha em meio a uma panela de feijão. É assim que consigo explicar o prazer de comer em silencio.
Entenda-se silencio, e não sozinho. Alimentar-se ao lado de vinte pessoas em silencio. Dá pra imaginar a energia disso?
Comer um dos melhores temperos de sua vida e não dizer nada a ninguém. Sozinho, mas muito bem acompanhado. Sentindo que realmente não é necessário dizer nada. Basta ter a consciência e agradecer.
Antes de me deitar pós-melhor-rango-do-mundo, sentir o aroma da horta. Reconhecer o poder da natureza em cada fase de uma digestão tranquila e saudável.
O cheiro do mato na Fazenda Jatobá Terra Prana é incrível, emana pleno prana.

Tudo se torna perceptivo: gatos, cachorros, insetos, corujas, flores, frutos, crianças, pessoas, seres.
Terceiro dia
Hoje os sininhos da Carol foram um pouco mais enfáticos, que me fez acordar mais diferente. Diferente, neste caso, ajuda a ter mais percepções. Distinguir que cada dia tem o seu despertar diferentemente igual. Gratidão por ter a consciência. Meditação, equilíbrio, força. Depois da YOGA, Lila nos convida para uma saudação ao Sol.
Do lado de fora da nave... Ops, SALA de práticas. Com os pés descalços, senti o frio da grama molhada do orvalho invadir meus pés com toda sua força vital. A natureza gritava ali, aos meus pés. E todos nós, abertos, prontos pra presenciar um momento inesquecível. O dia começara a raiar... Em poucos minutos, meu corpo já estava quente e ativo. O poder da respiração do fogo.
Exatamente a nossa frente, o sol começou a dar sinal de vida. Sinal às vidas ali presente. Exatamente as nossas costas, a lua começou a sorrir pela vida. Sinal de boas-vindas ao grande pai central. Grama nos pés, sol, lua, céu azul, natureza, pessoas, seres...
Não há duvidas que esse momento foi uma dádiva, uma recordação gravada eternamente na mente. E quando parecia que não cabia mais beleza naquele instante especial, o sol surgiu como grande rei que é. Vem como uma benção encher nossos corpos de calor e energia universal. A vida pulsava em nossos olhos, nos meus olhos. Nutrindo todo meu ser para nunca mais esquecer...
Mais práticas. Agora, as dores nas pernas diminuem. Comida sempre excelente. Silencio rico e completo. Depois do almoço, hora de nutrir também o corpo com endorfina. Excelentes 35 minutos bem corridos, com muito sol, calor e paisagem natural. Mais meditação. Mais ZAZEN.
Neste dia, também fizemos o Zen Shiatsu. E, ainda bem, o fizemos dentro do salão de práticas. Com maior conforto, pude sentir melhor os efeitos do Zen Shiatsu compartilhado. A pequena parceira Nancy prova realmente que a felicidade está nas pequenas coisas. Jantar sensacional com lua cheia de sobremesa.
Roda do Dharma para fechamento do dia repleto de positividade. Seja bem-vindo às energias do ZEN BUDISTA JAPONÊS.
Quarto dia
Fizemos a manhã deste quarto dia na mesma magia dos outros. Porém, algo de novo. Após receber os benefícios da caminhada meditativa tivemos a oportunidade de conversar.
Quem? Nós cinco que estávamos no mesmo quarto. Quando você se emerge de coração ao ZEN, percebe que tudo acaba ZENDO como é. Acontece como deve ser.
Havia estado dias ao lado de pessoas que, ao menos, sabia seus nomes. Eu estava ao lado de pessoas especiais, que buscavam a mesma coisa que eu. Estar simplesmente ao lado delas, compartilhando o mesmo teto, já me fazia bem. Afinal, eram meus companheiros de “lar”.
Saber ou não os nomes de todos eles era realmente um mero detalhe. Eu os percebia, respeitava e consentia a presença do ser humano individual, convivendo em grupo.
Sergio, Edu, Johny e Rapha... Seriam apenas nomes. Porém, é dessa reflexão que tiro a importância do compartilhar, dividir. Na conversa de meia hora no quarto, compartilhamos histórias...
De vida, de experiências, de conselhos, de aprendizado, de valores familiares, de costumes distintos, culturas distintas. Valores de pais e filhos. Valores de pais e filhas.
Valores de Avôs e Avós. De nossos e de todos os ancestrais... Da importância do dinheiro e da paz. Da co-relação e interligação que essas duas palavras possuem: PAZ e DINHEIRO. Não seria a maior riqueza do mundo ter a PAZ?
A vida individual de cada um, vivida até aquele momento, foi transmutada no instante do “compartilhar”, influenciando energeticamente nos
próximos passos de nossas vidas...
E para mim, a frase que fechou esse novo ciclo, potencializado por um domingo de páscoa ensolarado foi: “Tempo não é dinheiro. Mas sim, dinheiro é tempo”.
Invista mais tempo em você mesmo.
Pense, ore, pratique, medite.



